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PF expõe esquema de delegado que trocava cocaína por amido em MS

Organização criminosa com ligações ao PCC movimentou mais de R$ 500 milhões com tráfico internacional de drogas e armas.

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PF revela como policiais de MS desviavam cocaína e protegiam facção que movimentou R$ 500 milhões com tráfico internacional

A Polícia Federal revelou detalhes de um esquema em que agentes de segurança pública em Mato Grosso do Sul atuavam diretamente para proteger e abastecer uma facção criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação aponta que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 500 milhões nos últimos dois anos por meio do tráfico internacional de entorpecentes e armamentos pesados.

Operação Ifrit e o Clã Haidar A Operação Ifrit mobilizou agentes para cumprir dezenas de mandados de prisão e busca, além de determinar o sequestro de bens de luxo, incluindo haras, mansões, fazendas e veículos importados. As autoridades identificaram que a rede criminosa era comandada pelo chamado Clã Haidar, uma estrutura familiar estruturada na cidade de Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, que contava com conexões ramificadas em diversos estados brasileiros e países vizinhos.

O envolvimento de policiais civis De acordo com os relatórios da Polícia Federal, o esquema contava com a cooptação de servidores públicos para garantir informações privilegiadas, salvaguardar rotas logísticas e facilitar o desvio de entorpecentes apreendidos. Entre os investigados está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que já esteve à frente de unidades de elite como a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras).

Fraude na incineração e lucro milionário As apurações indicam que o delegado utilizava sua função para retirar drogas do depósito oficial e substituir o material puro por uma mistura de amido de milho e fermento antes da destruição judicial. Estima-se que cerca de duas toneladas de cocaína pura tenham sido desviadas, gerando lucros ilícitos da ordem de R$ 15 milhões para o agente, valor posteriormente lavado por meio da aquisição de imóveis de alto padrão e frotas de veículos.

Outros agentes na rede de proteção Além de Hoffman, a investigação aponta a participação do investigador Andrey Elesbão Silva, acusado de utilizar credenciais funcionais para monitorar desafetos e vazar dados sigilosos, e do policial civil Douglas Tobias, apontado como peça ativa na proteção das cargas ilícitas. A estrutura contava ainda com um braço operacional ultraviolento, marcado pelo uso de fuzis e pela atuação de sicários em execuções, cobranças de dívidas e práticas típicas de tribunais do crime.

Posicionamento das defesas Em nota, a defesa do delegado informou que tomou conhecimento do novo mandado de prisão expedido na Operação Ifrit, mas ainda não teve acesso integral ao processo nem à decisão judicial. Os advogados afirmaram que qualquer manifestação sobre as acusações seria prematura e ressaltaram que a prisão preventiva não representa uma condenação. Segundo a defesa, os fatos devem ser esclarecidos com garantia do contraditório e da ampla defesa.

Leia a nota na íntegra abaixo: “A Defesa Técnica do Delegado de Polícia Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa informa que tomou conhecimento do cumprimento de novo mandado de prisão preventiva e de medidas de busca e apreensão no âmbito da denominada Operação Ifrit. Até o presente momento, a Defesa ainda não teve acesso integral aos autos, à decisão que fundamentou a nova custódia nem aos elementos probatórios que embasaram as medidas. Diante disso, qualquer manifestação sobre o mérito seria prematura. Assim que houver acesso completo ao procedimento, a Defesa realizará a análise técnica do caso e adotará todas as medidas processuais cabíveis, assegurando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.”

Por sua vez, a defesa do policial civil Douglas Tobias declarou que o cliente é “pessoa idônea, profissional exemplar e nada tem a esconder, estando à disposição para prestar esclarecimentos e esperando que se faça justiça”.

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