A Justiça de Roraima determinou a elaboração de um laudo antropológico para investigar as particularidades do processo de Erinel Clementino, de 63 anos, e seu filho Francinildo Clementino, de 25. Os dois indígenas foram presos em flagrante e tiveram a prisão convertida em preventiva pelo assassinato de José da Silva Santana, de 25 anos, cometido na comunidade Caracaranã, situada em Uiramutã, na região Norte do estado.
Detalhes da investigação e prisão preventiva
O estudo técnico foi solicitado pelo juiz plantonista da Vara Criminal de Pacaraima, Marcelo Batistela Moreira. Na decisão, o magistrado destacou a necessidade do laudo antropológico “para melhor e mais aprofundada identificação e conhecimento acerca dos custodiados como pessoa indígena, sua etnia e sua língua/idioma indígena”. Além disso, o juiz ordenou que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e as lideranças locais sejam comunicadas para acompanhar o caso.
Durante a audiência de custódia, a prisão da dupla foi mantida devido à extrema violência do crime e ao risco à ordem pública. O magistrado pontuou: “Pela violência e o modo de agir em relação à vítima e a própria gravidade concreta do suposto delito”, acrescentando que “a medida é imperiosa para melhor análise e mais ampla elucidação étnica, cultural e situacional do caso concreto”.
O crime e a crença no ‘canaimé’
De acordo com os depoimentos prestados à Polícia Civil, os suspeitos cometeram o homicídio porque acreditavam que a vítima era um canaimé. Na tradição indígena, essa entidade é vista como um espírito maligno dotado de poderes sobrenaturais, capaz de se tornar invisível, assumir formas de animais para atacar pessoas à noite e realizar feitiços letais.
O assassinato ocorreu na última terça-feira (3) e teve requintes de crueldade. José da Silva Santana foi baleado na nuca e na cabeça por Francinildo com uma espingarda calibre .28. Em seguida, Erinel desferiu golpes de foice e faca no corpo da vítima. Os criminosos ainda decapitaram o jovem, atearam fogo no cadáver e registraram parte da ação em vídeos compartilhados em redes sociais.
Conspiração e desdobramentos policiais
A Polícia Militar apreendeu uma espingarda e uma foice na residência dos investigados, além de uma faca encontrada na cena do crime. Em seus relatos à polícia, os suspeitos divergiram sobre quem ordenou a execução e o incêndio do corpo, mencionando inclusive a participação de terceiros, como um segurança da comunidade chamado “Osmar”.
Atualmente, pai e filho respondem perante a Justiça por homicídio triplamente qualificado — por motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa —, além de destruição e ocultação de cadáver e posse irregular de arma de fogo. As autoridades policiais continuam as diligências para apurar se há mais envolvidos na morte do jovem.








