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Condenado a 56 anos, pai que abusou da filha é sentenciado no RJ

A vítima, que engravidou do agressor durante a infância, celebra a decisão judicial como um marco para retomar sua liberdade e dignidade.

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Vítima que teve filha após ser abusada pelo pai diz que condenação a 56 anos representa liberdade: 'Começar a viver de verdade'

A Justiça do Rio de Janeiro condenou a 56 anos e três meses de prisão, em regime fechado, um homem que abusou sexualmente da própria filha durante quatro anos. O crime, ocorrido quando a vítima tinha entre 12 e 16 anos, resultou em uma gravidez forçada. A sentença, considerada uma das mais severas para estupro de vulnerável no estado, trouxe alívio para Mayara Aline Braga, que agora enxerga a possibilidade de seguir em frente.

O peso da prova genética

O magistrado Luis Gustavo Vasques, do VI Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Regional da Leopoldina, fundamentou a condenação na coerência do relato da vítima e, decisivamente, no exame de DNA. O laudo pericial apontou uma probabilidade 281 mil vezes maior de vínculo genético entre o réu e a criança do que de qualquer outra pessoa.

“O exame de DNA foi uma prova fundamental neste caso. Nossa atuação começou ainda na investigação, com a cobrança das diligências necessárias para que essa prova fosse obtida. O resultado genético corroborou o relato da vítima e foi considerado pelo juiz juntamente com os demais elementos do processo”, explicou a advogada Mayara Nicolitt, do Programa Empoderadas.

A luta pela justiça e o medo da impunidade

Durante o processo, a vítima enfrentou momentos de extrema fragilidade, incluindo uma crise nervosa ao reencontrar o pai em audiência. O temor de que a Justiça brasileira fosse leniente com agressores familiares assombrava Mayara, que chegou a acreditar que o réu receberia uma pena mínima.

“Eu estava com muito medo de pegar um ano ou dois e logo em seguida ele estar na rua livre, e o medo e o desespero de ele vir atrás de mim”, contou.

O réu, que em juízo negou as acusações e alegou não se lembrar dos fatos sob o pretexto de ter sido usuário de drogas, teve negado o direito de recorrer em liberdade. Sobre a sentença, Mayara desabafou:

“Em vez de eu estar presa com medo, ele é que está, porque quem me causou mal foi ele”, afirmou.

O impacto da rede de apoio

A trajetória de Mayara contou com o suporte jurídico e psicológico do programa Empoderadas. A advogada Mayara Nicolitt destacou que o trabalho da equipe foi essencial para combater a revitimização e a desconfiança comum em casos de violência intrafamiliar.

“Em situações de violência sexual dentro da família, o medo, o silêncio e a demora para denunciar muitas vezes acabam sendo usados para colocar a palavra da mulher em dúvida. Nosso trabalho foi justamente enfrentar isso com provas e argumentos jurídicos”, afirmou.

Para a vítima, a condenação é o ponto final de um trauma profundo:

“Quando eu soube o que eu senti foi como se eu tivesse ganhado, como se eu tivesse vencido, como se tudo tivesse valido a pena, como se eu tivesse livre para andar na rua, como se eu tivesse uma oportunidade de começar realmente a viver a minha vida”, disse.

Um recomeço necessário

A pena imposta, que considera a reincidência dos abusos e o parentesco, foi celebrada pela vítima como um sinal de que o sofrimento foi reconhecido pelo Estado.

“Essa sensação de que ele vai apodrecer lá dentro, de verdade, me deixa muito tranquila e muito leve. Me deixa respirar, seguir em frente e viver a minha vida”, declarou.

Ao projetar o futuro, Mayara, que hoje se dedica ao setor da beleza e almeja ser palestrante, deixa um recado para outras mulheres:

“É o fim dessa história e o começo da minha vida, a oportunidade de eu recomeçar a minha vida e que outras mulheres possam entender que há a possibilidade, sim, de a Justiça acontecer, de denunciar, de lutar até o fim”, concluiu.

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