Famílias ribeirinhas que vivem em regiões isoladas de Anajás, no Arquipélago do Marajó, enfrentam momentos de desespero após focos de fogo atingirem áreas de mata na zona rural do município paraense.
Desafio logístico e estiagem severa
O trajeto até os pontos afetados exige um esforço monumental das equipes de salvamento. O transporte fluvial mobilizado pela prefeitura demanda aproximadamente oito horas de navegação. Na sequência, os combatentes precisam percorrer cerca de três horas de motocicleta para alcançar os locais onde o fogo se alastra.
A situação é agravada pela seca severa característica do verão amazônico, período em que os igarapés locais sofrem com a estiagem, deixando o efetivo sem recursos hídricos suficientes para conter o avanço das chamas.
Impacto na área urbana e mobilização
A poluição do ar gerada pelas queimadas já afeta diretamente a sede do município. A assistente social Ieda Lobato, moradora da região, relata que a população convive diariamente com o problema.
“A fumaça já chegou aqui no município. Todos os dias é possível ver aqui na cidade”, afirma.
A moradora também pontua que a localidade carece de uma base permanente de bombeiros e que a estiagem severa compromete a navegação pelos igarapés, isolando ainda mais as comunidades atingidas.
Esforços da prefeitura e apoio estadual
Diante da gravidade da ocorrência, a administração municipal acionou o governo estadual, que enviou um reforço de cinco bombeiros militares. Outros onze profissionais civis foram contratados pela prefeitura para tentar debelar o fogo com o auxílio de abafadores.
Para estruturar a operação, a gestão local alugou uma embarcação que serve como alojamento e refeitório para os trabalhadores, além de motocicletas para otimizar o transporte terrestre.
A prefeitura reforça que a magnitude do desastre exige mais recursos e que os esforços atuais encontram barreiras intransponíveis na geografia local.
“Todo esforço está sendo insuficiente no combate ao incêndio florestal justamente por se tratar de uma região de difícil acesso”, informou a gestão municipal.
Até o momento, as autoridades locais declaram que ainda não é possível determinar se a origem das chamas está associada à ação criminosa, aguardando os laudos periciais dos órgãos competentes para esclarecer as causas do desastre ambiental.








