Um sofisticado esquema internacional de fraude, que utilizou deepfakes para simular a identidade de executivos e advogados, resultou na acusação de três homens nos Estados Unidos. A operação, detalhada pelo Departamento de Justiça americano, movimentou pelo menos 129 milhões de dólares, montante equivalente a cerca de 710 milhões de reais, afetando bancos, hospitais e diversas corporações ao redor do mundo.
O modus operandi da fraude com IA
A estratégia dos criminosos era focada em funcionários com poder de decisão para realizar transferências de altos valores. O processo iniciava-se com e-mails que imitavam o estilo de comunicação da presidência das empresas, solicitando auxílio em operações financeiras sigilosas. Para conferir veracidade, os golpistas chegavam a enviar acordos de confidencialidade falsos.
Na etapa seguinte, as vítimas eram direcionadas para chamadas de áudio ou vídeo. Nessas interações, os suspeitos utilizavam tecnologia de inteligência artificial para replicar a voz e, em certos cenários, a aparência de diretores. Um falso advogado entrava em cena para instruir os colaboradores dos setores financeiro e contábil sobre os procedimentos de transferência. Os valores desviados eram convertidos em criptomoedas.
Alvos e prejuízos bilionários
Embora os nomes das instituições não tenham sido revelados pelas autoridades, os danos foram significativos. Entre as ocorrências listadas, uma rede hospitalar do Missouri perdeu 4,83 milhões de dólares em novembro de 2024, enquanto um banco de Rhode Island foi lesado em 2,68 milhões de dólares no mesmo mês. Outros prejuízos foram registrados em empresas de tecnologia, fundos de investimento e fabricantes do setor de alimentos, com valores individuais ultrapassando a marca dos 5 milhões de dólares. Nem todas as tentativas foram bem-sucedidas; em Nova York, um banco conseguiu bloquear uma transferência de 2,85 milhões de dólares após identificar a irregularidade.
Prisões e desdobramentos judiciais
Os três homens apontados como responsáveis pelo esquema são Jacob Soall, de 41 anos, Sharon Hazan, de 54, e Guy Sheetrit, de 42. As prisões ocorreram na Espanha e no Reino Unido entre junho e setembro de 2025.
De acordo com as investigações, Soall atuava como o falso advogado nas negociações, enquanto Hazan e Sheetrit focavam na lavagem do capital ilícito. Os acusados enfrentam sete denúncias, que incluem roubo de identidade, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. O processo de extradição para os Estados Unidos segue em andamento, e todos os envolvidos aguardam julgamento sob a presunção de inocência.








