Uma operação policial resultou na prisão de suspeitos de extorquir vendedores de água mineral em Fortaleza, cobrando uma taxa ilegal por cada garrafão comercializado nas comunidades da capital.
Esquema de extorsão em comunidades De acordo com os documentos da audiência de custódia realizada neste sábado (7), o grupo criminoso exigia a quantia de R$ 1,50 por unidade vendida. A cobrança teve início em 2 de novembro no Complexo da Rosalina, abrangendo localidades como Riacho Doce, Jardim União e Parque Dois Irmãos, após intimidações telefônicas e presenciais feitas aos comerciantes locais.
O envolvimento do Comando Vermelho As investigações apontam que a prática criminosa foi instaurada depois que o chefe regional da facção “arrendou” o território para exploração.
A atuação dos suspeitos Mikael Melo Moreira, conhecido como “Mixaria” e apontado como um dos operadores da facção, teria recebido autorização de Daniel Oliveira da Silva, o “Daniel Trator”, para gerenciar as cobranças. Na ação realizada na sexta-feira (6), a Polícia Civil interceptou um veículo transportando garrafões e efetuou prisões. Entre os detidos estava Francisco Emídio de Araújo, cunhado de Mikael e comerciante que atuava em conjunto com o grupo. “Daniel Trator” foi localizado posteriormente em Horizonte, utilizando tornozeleira eletrônica.
“Há indicativos de que, por meio de ameaças a comerciantes, a facção passou a decidir quem pode vender água mineral em comunidades inteiras, a que preço e de qual fornecedor, apropriando-se do acesso da população a um bem essencial à vida, em contexto estadual no qual a mesma prática levou à suspensão de entregas em bairros desta Capital e em municípios do interior, chegando-se, em Banabuiú, à necessidade de escolta policial para a venda de água”, destacou o juízo da Comarca de Fortaleza que fez a audiência de custódia.
Expansão da criminalidade no estado O controle criminoso sobre a distribuição de água mineral tem afetado diversas regiões cearenses. Em outubro, o município de Banabuiú registrou paralisações na venda do produto e exigiu escolta policial para o abastecimento da população. Situações semelhantes de ameaças e extorsões por parte de organizações criminosas também foram relatadas em cidades como Meruoca e Caridade, além de diferentes bairros de Fortaleza.








