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Rio de Janeiro registra apenas 7 dias sem chuva em dois meses

Capital fluminense enfrenta volumes históricos de precipitação e monitora impactos do fenômeno climático global

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Rio teve apenas 7 dias sem chuva em setembro e outubro; El Niño pode influenciar o tempo

A capital fluminense viveu um período atípico de céu encoberto e umidade persistente nos últimos meses. Dados oficiais do Sistema Alerta Rio indicam que a cidade acumulou apenas sete dias sem nenhuma precipitação ao longo de setembro e outubro, considerando o balanço parcial até o dia 27 do segundo mês.

Recordes históricos de precipitação

O cenário chuvoso surpreendeu os meteorologistas. Durante o mês de setembro, a metrópole contabilizou o maior volume de água acumulado desde o início da série histórica do órgão municipal, em 1997, computando apenas quatro dias totalmente secos. A tendência de instabilidade persistiu em outubro, que já se consolidava como o quarto outubro mais chuvoso no mesmo histórico de 27 anos.

Previsões para os próximos meses

Para o futuro próximo, a projeção aponta para uma alteração na dinâmica das tempestades. De acordo com o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Wanderson Luiz Silva, os temporais tendem a ocorrer com maior espaçamento, mas ganharão força de forma concentrada em janelas curtas de tempo.

“Os volumes não devem ficar tão diferentes da média histórica, nem tão abaixo, nem tão acima, mas elas vão começar a se concentrar de maneira um pouco mais intensa em períodos mais curtos. Isso começa a dar lugar, quando a gente fala de temperatura, a possíveis ondas de calor quando não chove”, explicou o especialista.

Riscos urbanos e vulnerabilidade

Essa nova configuração climática exige alerta máximo das autoridades e da população, principalmente nos morros e encostas da Região Metropolitana. Um levantamento realizado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) revela que aproximadamente 800 mil moradores residem atualmente em zonas de risco para deslizamentos de terra e alagamentos.

O papel do El Niño e dos reservatórios

As alterações no tempo guardam relação com o El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar drasticamente as condições meteorológicas globais. Um relatório publicado por agências federais indicou alta probabilidade de o evento climático atingir força muito elevada entre o final do ano e o próximo ciclo.

Apesar dos transtornos urbanos, o especialista lembra que os temporais cumprem funções vitais para a infraestrutura urbana, como a recuperação dos níveis dos mananciais e a garantia de recursos hídricos.

“Quando a chuva vem, é para poder encher os reservatórios e fazer com que a gente tenha, por exemplo, o abastecimento de água, de geração de energia hidrelétrica, de maneira suficiente para quando essa chuva faltar. Então a gente tem sempre que ficar feliz também quando está chovendo, ainda mais de maneira moderada e constante”, afirmou o pesquisador da UFRJ.

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