Moradores da terceira idade no Acre têm adotado o pilates como principal ferramenta para preservar a autonomia física e evitar acidentes domésticos, com foco na prevenção de quedas e na manutenção de uma rotina ativa em Rio Branco.
Campanha Outubro Prateado
As iniciativas ganham ainda mais força durante o período da campanha Outubro Prateado, que busca conscientizar sobre o envelhecimento saudável, estimulando tanto o bem-estar mental quanto a convivência social deste público.
De acordo com a professora de modalidade Conceição Fiesco, a falta de estímulo físico na velhice eleva perigosamente a vulnerabilidade a acidentes graves.
“O pior de tudo é o risco de queda, porque o idoso que envelhece sem uma atividade física fica muito fraco e uma queda leva à morte, 90% de morte hoje em dia dos idosos é por causa de queda. Eles caem, quebram o fêmur, acamam e morrer. Então, o pilates vem como uma prevenção para esse risco de morte e também como melhor qualidade de vida deles”, destacou.
Benefícios para a força e flexibilidade
A especialista reforça que a disciplina atua tanto na reabilitação quanto na promoção de uma vida equilibrada, combatendo a perda natural de capacidades motoras que se inicia após os quarenta anos de idade.
“É uma atividade de força e flexibilidade, o que leva muitos benefícios para o idoso. A pessoa perde força e flexibilidade a partir dos 40 anos e isso faz com que o risco de queda aumente, de acidentes na rua. Os idosos não conseguem mais brincar com os netos, não conseguem fazer as atividades da vida diária. E o pilates traz essa melhora para eles e para as outras pessoas”, detalhou.
Histórias de superação no Acre
A aposentada Rosária Carvalho encontrou na modalidade uma alternativa para lidar com a fibromialgia, motivada pelo progresso que observou na rotina de sua própria irmã.
“Eu disse: ‘Então quero isso para mim’, porque sou uma pessoa que tem fibromialgia. Comecei fazendo pilates clínico e depois passei para o pilates solo”, contou.
Os resultados foram notados tanto na agilidade quanto na disposição mental. “Na mente mudou tudo e no corpo também. Eu fiquei uma pessoa mais ágil, sou uma pessoa flexível, não preciso de apoio para me agachar e nem me levantar, por conta do pilates e a musculação que eu faço aqui, não só o pilates, mas também a musculação”, relatou.
Para ela, a barreira da idade não deve impedir o início de uma rotina de exercícios: “Se você acha que por ter 60, 70 [anos] não vale mais fazer exercício porque já passou da minha idade, não, negativo. A idade é hoje, agora, vamos começar e ir à luta. E todos tm que fazer isso, o benefício é grande. Todos os médicos falam, primeiro remédio é o que? atividade física”, defendeu.
Já a aposentada Maria Valdenir recorreu aos estúdios após sofrer uma lesão braquial em equipamentos públicos e receber indicação médica para reabilitação.
“A minha meta era me levantar da cama e correr atrás do tempo que perdi. Com a idade que tenho, não posso viver deitada. Fui primeiro em uma academia dessas de pracinha, nunca tinha ido e não tava fazendo muito bem […]. Fui para o médico e a doutora me disse que estava tudo certo, que fui para um lugar que não tinha instrução e acabei fazendo algo errado e machuquei o braço. Então, ela me recomendou fazer pilates”, disse.
O método também auxiliou no controle de dores decorrentes de artrite e artrose. “Eu já tenho um problema de artrite e artrose e foi por isso também que corri atrás [do pilates] porque não aguentava. Para andar, eu tinha que levantar uma perna e como era que ia andar. Agora, estou vivendo uma nova história na minha vida, estou começando a viver agora”, afirmou.








