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Ex-líder espírita em GO é investigado por abuso sexual

Ministério Público apura denúncias de que o suspeito exigia favores sexuais e fotos íntimas em troca de doações de cestas básicas.

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Ex-presidente de comunidade espírita pedia favores sexuais a mulheres em troca de cestas básicas, diz ex-integrante

O Ministério Público do Estado de Goiás deflagrou uma operação para investigar o ex-presidente da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, localizada em Goiânia, suspeito de cometer crimes contra a dignidade sexual de mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Operação e mandados de busca

As autoridades cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços vinculados ao investigado, incluindo a sede da instituição religiosa, que atualmente encontra-se fechada de forma temporária. A investigação teve início após a denúncia formalizada por uma integrante da comunidade.

Participaram da ação a Procuradoria-Geral de Justiça, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, além de outros órgãos especializados. As diligências apontam que o esquema explorava a necessidade de ajuda material das vítimas.

Modus operandi e provas

De acordo com os relatos obtidos durante a apuração, o dirigente centralizava a distribuição de donativos e exigia que todas as assistidas passassem por seu atendimento telefônico pessoal.

“Ele ligava para essas mulheres, às vezes, tarde da noite e chegava assediando. Ele oferecia a cesta em troca de favores sexuais, principalmente quando ele percebia que a pessoa tinha vulnerabilidade social. Pedia fotos íntimas, dentre muitas outras coisas”, afirmou um ex-integrante.

O órgão ministerial teve acesso a registros de áudio enviados pelo investigado a uma das vítimas, nos quais ele utiliza termos de cunho sexual.

“Você é a coisinha linda do Moacir. Você me entende. Meu tesãozinho, meu amor. Viu, meu bem? Quero você, o seu corpo, tudo. Eu sou esquisito mesmo. Eu sou daqueles fechadão, esquisito. Mas eu te quero, eu te amo”, disse Moacir.

Por outro lado, alguns frequentadores relataram visões distintas durante reuniões e abordagens sobre o caso, destacando que recebiam auxílio material sem presenciar condutas irregulares.

“nunca ouviu ou soube de nada a respeito de Moacir, e que ele a ajuda sempre com cestas básicas”, declarou uma frequentadora.

Outro participante da reunião pontuou que “o presidente precisa ter muita cautela, evitando situações que possam ensejar escândalos envolvendo frequentadores da comunidade”.

Medidas cautelares e novos desdobramentos

Embora não tenha tido a prisão preventiva decretada, o homem foi submetido a medidas cautelares rigorosas, que incluem a proibição de acesso à sede da entidade religiosa e a obrigação de comparecimento periódico perante a Justiça. A quebra de sigilo telemático também foi autorizada.

“As diligências do Navita indicam que outras mulheres podem ter sido vitimadas no mesmo contexto institucional”, informou o MP.

A diretoria do centro formalizou o afastamento do dirigente junto à Federação Espírita de Goiás, enquanto o imóvel onde funcionava a unidade passou a ser administrado por outro grupo religioso. O Ministério Público levantou ainda indícios de que o investigado tentava abrir uma nova frente religiosa em outra cidade goiana.

“Isso reforçou o receio de que ele volte a usar a liderança religiosa para se aproximar de outras mulheres em situação de vulnerabilidade”, afirmou o órgão, que disponibilizou canais oficiais para o recebimento de novas denúncias e apoio a eventuais vítimas.

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