A atuação da Polícia Civil do Espírito Santo resultou na prisão de seis pessoas investigadas por estupro de vulnerável, ameaça e maus-tratos na Grande Vitória. O desmantelamento desses crimes teve início após traços feitos por uma menina de 7 anos, que expuseram uma rede de abusos cometidos pelo pai contra ela, duas irmãs e uma amiga.
Investigação e relatórios escolares Conforme divulgado pela corporação, a ação policial culminou na captura de cinco homens com idades entre 40 e 80 anos, além de uma mulher de 26 anos. A primeira prisão ocorreu no município da Serra, mobilizada após a mãe procurar a delegacia acionada pelo Conselho Tutelar.
“Uma das vítimas, de apenas 7 anos, começou a desenhar órgãos genitais masculinos, e isso chamou a atenção de um estagiário da escola, que procurou uma psicóloga que atua na escola. Essa psicóloga enviou um relatório detalhado à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), informando que, na escuta realizada por ela, a criança revelou que sofria abusos do genitor”, explicou a delegada adjunta da DPCA, Thais Cruz.
Expansão dos relatos na família O avanço das apurações revelou que outras menores também eram alvos do mesmo agressor. Uma irmã de 15 anos e uma amiga da adolescente confirmaram episódios de violência, nos quais o suspeito se aproveitava de fragilidades financeiras para aliciar as vítimas com dinheiro e presentes. Uma terceira irmã, hoje maior de idade, relatou ter sofrido abusos na adolescência, mas silenciou para não desestabilizar a renda familiar.
Alertas sobre o comportamento infantil Diante dos casos descobertos na Operação Infância Protegida, autoridades reforçaram a necessidade de vigilância constante sobre alterações na conduta dos jovens.
“Percebemos que a maioria desses crimes ocorre em ambiente residencial, familiar, onde o agressor se utiliza da condição de confiança que tem. Às vezes é o próprio pai, o padrasto, um tio, um amigo da família. E, se valendo dessa confiança e dessa proximidade, o abusador começa a assediar as crianças e podem chegar a extremos, como o estupro. Temos que ter muito cuidado porque esse tipo de conduta perversa, além de tudo, gera traumas significativos que as vítimas carregam por toda vida”, afirmou o delegado.
Outros desdobramentos na Grande Vitória A operação também elucidou ocorrências em Vitória e Cariacica, onde abusadores se aproveitavam da ausência materna por motivos de trabalho para coagir as vítimas. Em um dos flagrantes, o suspeito tentou justificar os atos alegando transtornos mentais, enquanto em outro cenário a coação financeira impedia que a denúncia fosse feita anteriormente. Todas as prisões preventivas foram cumpridas após autorização da Justiça.








