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Ibovespa desaba 18% após eleições e dólar dispara no Brasil

Índice brasileiro registra uma das piores semanas da história após o segundo turno e mercado exige clareza sobre o cenário fiscal.

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Ibovespa: tombo de 18% iguala semana de 11 de Setembro e chega perto da pandemia; o que esperar?

O mercado financeiro brasileiro enfrentou uma semana de forte turbulência após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, culminando na reeleição do presidente Lula (PT). O Ibovespa, principal índice da B3, acumulou uma queda superior a 18% e fechou os negócios aos 167.922 pontos, engatando cinco pregões consecutivos de baixa e pressionando o câmbio nacional.

Crises históricas e perdas bilionárias A retração recente entrou para a história como a quinta pior semana do índice desde a implementação do Plano Real, conforme levantamento elaborado pela consultoria Elos Ayta. O tombo só perde em intensidade para momentos críticos da economia global, como o início da pandemia de Covid-19 em março de 2020, o estouro da bolha imobiliária americana em 2008, a crise asiática de 1997 e os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Como reflexo direto dessa desvalorização generalizada, o valor de mercado de todas as companhias listadas na bolsa brasileira sofreu uma redução drástica de R$ 963 bilhões ao longo da semana pós-eleitoral. “É equivalente a uma Petrobras inteira e mais R$ 229 bilhões”, diz a consultoria. No câmbio, a moeda americana teve salto de 7,61% pela taxa Ptax, marcando o maior avanço semanal desde setembro de 2011.

Desmontagem de posições e cautela externa Especialistas apontam que o movimento atual representa, fundamentalmente, a reversão de expectativas traçadas pelos investidores antes do pleito. O cenário traçado pelo mercado financeiro previa uma direção distinta para a condução das contas públicas, o que havia impulsionado a bolsa nas semanas anteriores. A saída de capital estrangeiro acelerou o processo de baixa, impulsionada pelo recuo de agentes internacionais. “O gringo já estava desmontando. Quer se expor ao boato, mas não quer se expor ao fato”, afirma Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

O fantasma do risco fiscal e o PIB A intensidade da reação negativa também está atrelada à situação fiscal prévia do país, com a dívida bruta alcançando 82,9% do Produto Interno Bruto em agosto, patamar estimado em cerca de R$ 11,1 trilhões. Diante desse patamar elevado, investidores cobram taxas de juros mais altas para financiar o setor público, encarecendo o crédito e tornando a renda fixa um destino mais atraente que a bolsa de valores.

“Os dados fiscais ajudam a entender a vulnerabilidade do mercado, mas não permitem atribuir toda a queda da semana a esse fator. O ambiente internacional, as perspectivas das empresas e o reposicionamento dos investidores também precisam ser considerados”, diz Luiz Dornelas, CEO do Grupo Ludo. A demanda por definições concretas é compartilhada por outros analistas do setor. “Nosso problema não é falta de dólar. O Banco Central tem reservas robustas. O ponto é o risco fiscal. O mercado agora quer dois sinais claros: quem será o ministro da Fazenda e qual será o plano fiscal crível para ancorar as expectativas sobre a dívida”, afirma Emerson Vieira De Farias Junior, gestor de câmbio e contas internacionais da Convexa Investimentos.

Perspectivas e próximos passos da economia Para o futuro próximo, a volatilidade deve continuar ditando o ritmo dos negócios na B3, com os investidores atentos aos próximos anúncios da equipe econômica e à decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic. Embora repiques técnicos e recuperações parciais possam ocorrer após uma baixa tão acentuada, analistas ressaltam que uma trajetória duradoura de alta exigirá passos concretos do governo.

“Um repique técnico nos próximos dias é possível e não seria surpresa. Mas repique não é recuperação. Para a bolsa voltar de forma consistente aos níveis de setembro, vai ser preciso um compromisso fiscal crível, com nomes e números”, conclui Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.

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