A história de Manaus guarda episódios de violência que, ao longo das décadas, despertaram o medo e a curiosidade da população. Entre registros de assassinatos em série e a atuação de grupos que prometiam fazer justiça com as próprias mãos, a capital amazonense foi palco de investigações complexas que permanecem no imaginário coletivo.
O enigma de José Osterne de Figueiredo
Entre as décadas de 1950 e 1960, a cidade acompanhou três crimes brutais que tiveram como figura central o comerciante José Osterne de Figueiredo. O primeiro caso ocorreu em 1953, com a morte de um funcionário de sua alfaiataria. Posteriormente, o assassinato de um sócio e, anos depois, a morte de um jovem de 13 anos, fizeram com que o nome do empresário fosse constantemente associado aos episódios, que apresentavam sinais de sadismo e agressão sexual. Apesar das suspeitas, ele nunca foi condenado e faleceu em 1977, mantendo o mistério sobre sua real culpa.
Irmãos suspeitos de crimes contra homossexuais
Em 2014, a polícia desarticulou uma dupla acusada de uma série de assassinatos contra homens homossexuais em Manaus. Jucenildo Soares Damascena e Ricardo Damascena Cunha foram presos após a morte de um estudante de jornalismo. Durante a apresentação dos suspeitos na delegacia, Ricardo deu declarações sobre o crime:
“Matei ele porque me prometeu dinheiro e não me deu. Não me arrependo. Morreu, morreu. É menos um gay”
As investigações apontaram que os irmãos estariam envolvidos em pelo menos quatro mortes identificadas na capital, embora tenham sido acusados de participação em outros casos.
A ameaça do grupo Mão Branca
Um dos capítulos mais tensos da segurança pública local ocorreu em 1980, com a suposta chegada do grupo justiceiro conhecido como Mão Branca. Após ganhar notoriedade em Campina Grande, a organização teria enviado cartas e feito telefonemas à imprensa manauara, ameaçando 77 pessoas que estariam “marcados para morrer”. O clima de terror foi acentuado pela descoberta de uma mala com armas e símbolos do grupo em frente a um hotel, embora a existência real da organização em Manaus nunca tenha sido plenamente comprovada pelas autoridades.
Serial killer de mulheres preso em 2023
Mais recentemente, o caso de Natan de Melo Furtado, o “Giban”, trouxe à tona o debate sobre crimes em série. Preso em 2023, ele foi apontado pela Polícia Civil como o responsável pela morte de três mulheres no Amazonas, incluindo um crime brutal no bairro Raiz, em Manaus, onde a vítima sofreu 73 perfurações. A reincidência e o padrão das ações levaram a polícia a classificá-lo como um serial killer.
Esses casos, que atravessam gerações, mostram como o rastro de violência e a atuação de criminosos perigosos compõem uma parte sombria, porém presente, da crônica policial de Manaus.








