Fogo ameaça destino turístico no Pará
Um mutirão formado por bombeiros, brigadistas e indígenas passou o dia combatendo o fogo que ameaçou um dos principais destinos turísticos do Pará, no meio da Floresta Amazônica. O Ibama também deslocou aeronaves para controlar as chamas.
O fogo avançou por quase 2,5 km da área de proteção ambiental de Alter do Chão, distrito de Santarém. O incêndio começou no fim da tarde de sexta-feira (30), nas proximidades da Ilha do Amor, um dos principais pontos turísticos do Pará.
“Todo esse pedaço aí em chamas, triste de ver”.
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Bombeiros, voluntários e indígenas se juntaram no combate.
“É um fogo que é muito difícil de combater. O calor, o vento, contribuem para que o fogo fique cada vez mais forte”, conta o brigadista voluntário Elder Estefanno.
Depois de quase oito horas de trabalho, as equipes conseguiram reduzir a intensidade dos incêndios. Mas, ao longo de todo o dia, permaneceram monitorando focos remanescentes.
“Ainda temos dentro da área queimada, da cicatriz do incêndio, troncos que ficam dias com fogo. E esse vento acaba jogando fagulhas distantes. Então, esse é o perigo aqui, agora, por isso que a gente ainda não deixou o local”, explica o sargento Julio Cesar Galúcio, do Corpo de Bombeiros.
Mutirão controla incêndio de grandes proporções perto de Alter do Chão, um dos principais destinos turísticos do Pará
Jornal Nacional/ Reprodução
Um incêndio de grandes proporções já tinha atingido a região em 2019. Além da importância ambiental, a área também é alvo de especulação imobiliária.
“Esse lugar está sendo destruído para dar lugar para prédio, para mansões. Tem que ser lugar para os povos”, afirma a liderança indígena Alessandra Munduruku.
As causas do incêndio serão apuradas pela Secretaria de Meio Ambiente de Santarém. Neste sábado (31) à tarde, bombeiros monitoravam focos ainda ativos no meio da floresta.
Ibama e ICMBio enviaram aviões que jogam água sobre o fogo para Alter do Chão. As aeronaves estavam paradas havia quatro dias por conta da fumaça que impede o voo em áreas de queimadas nas cidades de Mojuí dos Campos e Uruará. Nessas regiões, a operação passou a usar helicópteros, em um sistema que capta água nos rios e joga sobre o fogo.
“Dessa forma, podemos suprir a demanda dos brigadistas em solo no combate aéreo utilizando água”, diz Guto Dauster, oficial de informações públicas do Ibama.
O Pará encerra o mês de outubro com mais de 12 mil focos de incêndios. É o pior número da série histórica do Inpe, que começou há 29 anos.
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