A capital paraense recebe neste sábado (7) a penúltima apresentação da turnê Bye Bye Caju, marcando o encerramento da era do aclamado disco lançado em 2024 pela cantora Liniker. O evento ocorre em uma marina situada na avenida Bernardo Sayão, no bairro do Guamá, reunindo fãs para um momento de celebração e despedida deste repertório marcante.
A reta final de Caju em Belém Depois de dois anos na estrada com o projeto, a artista reflete sobre as mudanças profundas que o álbum gerou em sua trajetória pessoal e artística, destacando a busca por autoaceitação.
“Esse disco é um disco de autoestima, é um disco que eu escrevi para potencializar fragilidades internas”, afirma.
A turnê também simboliza a concretização de um propósito poético de autenticidade.
“Eu fico feliz por ter conseguido alcançar o meu desejo, que era ser fiel a mim mesmo e me respeitar na minha totalidade através da poesia”, diz.
“Eu estou ansiosérrima esperando que esse show seja um marco para todo mundo que assista”, conta.
O encerramento do ciclo na capital paraense coroa uma fase de forte conexão com a cultura nortista, que a cantora descreve como singular e diversa.
“A música do Pará, a música do Norte, ela é muito rica, porque ela é muito plural no ritmo, ela é muito plural na poesia, e acho que ela é única. Ninguém no Brasil faz igual”, afirmou.
Paixão profunda pelo Marajó Durante suas passagens pela região, a relação com o estado transcendeu os palcos, com destaque para a vivência marcante no arquipélago do Marajó, que alterou sua perspectiva de vida.
“Eu fui muito atravessada, assim, espiritualmente e emocionalmente, a nível de mudar uma chave na química do meu corpo e na química do meu cérebro. O Marajó foi um amor à primeira vista e é um encanto mesmo na história”, conta.
Para quem deseja explorar a ilha, a artista montou um roteiro com cinco recomendações essenciais: tomar banho de igarapé, saborear o sorvete da Ice Buffalo em Soure, visitar o Ateliê Arte Mangue Marajó, curtir uma noite de carimbó e mergulhar nas águas de Joanes.
“Aquilo me inspira poeticamente, aquilo me inspira a nível de vida”, disse.
Fé e emoção no Círio de Nazaré Outro momento transformador ocorreu durante a imersão na festividade religiosa de Belém, onde a vivência com o Círio de Nazaré trouxe reflexões profundas sobre espiritualidade e gratidão.
“Eu chorei tanto, porque, por mais que eu não seja paraense, por mais que eu não tivesse ainda uma experiência no Círio, aquilo me fez voltar para o meu eixo, fizesse acreditar que aquela força de fé era uma força que me nutria também.”
Em vez de fazer pedidos diante da grandiosidade da procissão, a escolha foi focar no reconhecimento das conquistas recentes.
“Coisas tão bonitas têm acontecido na minha vida que eu acho que às vezes a gente também se dá a importância do agradecimento e não só de pedir.”
Origens e o valor das políticas públicas Ao revisitar sua trajetória até o sucesso nacional, Liniker destacou a importância da escola pública de sua infância e de programas sociais como Fome Zero e Minha Casa Minha Vida para garantir estabilidade à sua família.
“Tudo isso me deu segurança para que eu pudesse existir e para que eu pudesse sonhar. E esse sonho foi o que me fez artista”, afirmou.
Para ela, o acesso democrático à cultura é fundamental para a revelação de novos talentos no país.
“A arte acontece na minha vida porque eu fui contemplada por uma democracia que me fez existir”, declarou.
Expectativa para a grande noite Com portões abertos a partir das 17h e show previsto para as 20h no Espaço Náutico Marine Club, a expectativa é de uma noite inesquecível para o público paraense.
“Que a gente possa se encontrar nessa penúltima noite de Bye Bye Caju e fazer um show memorável e histórico.”








