Investigações conjuntas conduzidas pela Polícia Federal, Receita Federal e pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul descortinaram uma rede criminosa bilionária que unia agentes públicos de segurança e um clã familiar de traficantes na linha internacional entre o Brasil e o Paraguai.
Foco das Operações Ifrit e Infiltrados A Operação Ifrit, capitaneada pela Polícia Federal e pela Receita Federal, devassa o tráfico internacional de cocaína e armamentos pesado atribuído ao Clã Haidar e seus aliados. Em paralelo, a Operação Infiltrados, executada pelo Gaeco do MPMS, foca no furto e desvio de entorpecentes apreendidos que estavam sob a guarda de policiais civis em solo sul-mato-grossense.
Estrutura e Liderança do Clã Haidar Com base na faixa de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, o esquema era comandado de forma familiar pelos irmãos Nasser, Bassam e Adel Haidar, além de Maroan Fernandes Haidar Ahmed, que chefiava as ações mesmo cumprindo pena em uma penitenciária federal. A facção importava cocaína e fuzis da Bolívia, do Peru e do Paraguai, utilizando veículos blindados, drones e pistoleiros para garantir o monopólio e a segurança das cargas que abasteciam o Brasil e a Europa.
Método de Desvio e Falsificação de Drogas A engrenagem criminosa contava com a conivência de servidores públicos corrompidos para burlar a segurança dos depósitos policiais. A cocaína de alta pureza confiscada era subtraída para revenda clandestina e substituída na bacia das almas por uma mistura barata de amido de milho, fermento e outras substâncias. O produto adulterado, com teor inferior a 10% de entorpecente, passava por triagens superficiais e seguia intacto para a incineração judicial.
Envolvimento de Delegados e Provas Escandalosas Os inquéritos apontam a participação direta de nomes de peso da segurança pública, como o delegado Hoffman D’Ávila, ex-comandante da Denar e do Garras, acusado de movimentar R$ 15 milhões e acumular bens incompatíveis, incluindo uma mansão de luxo. Relatórios policiais expuseram registros impressionantes de proximidade entre os criminosos e a força policial, documentando festas em karaokê, testes conjuntos de armamentos e criminosos circulando livremente pela sede da Denar ao lado de viaturas.
Conexões com Facções e Rota Internacional O ecossistema do crime mantinha laços comerciais com gigantes do crime organizado como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC). Os narcóticos entravam no país por Mato Grosso do Sul, servindo tanto para o consumo em solo brasileiro quanto para exportação rumo a portos na Espanha e em Portugal.
Bens Sequestrados e Resposta das Defesas O rombo financeiro estimado da organização ultrapassou a marca de R$ 500 milhões em um biênio, movimentados por meio de laranjas, empresas de fachada e câmbios paraguaios. A Justiça Federal ordenou o congelamento de R$ 300 milhões, além de confiscar fazendas, haras, carros importados e aeronaves. Enquanto as defesas de alguns investigados negam as acusações e alegam falta de acesso aos autos, a representação legal de um dos investigados se manifestou publicamente.
“De todo modo, Douglas Tobias mais uma vez demonstrou se tratar de pessoa idônea, profissional exemplar e nada tem a esconder, estando à disposição para prestar esclarecimentos e esperando que se faça justiça”, declarou.
A defesa do delegado Guilherme Scucuglia argumentou que ele foi designado para a fronteira exatamente com a missão de apurar os desvios de conduta praticados por outros policiais na região.








