Apontado como um dos principais articuladores e estrategistas de uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e desvio de entorpecentes, Maroan Fernandes Haidar Ahmed, de 25 anos, tornou-se o principal alvo da Operação Ifrit. A ofensiva, deflagrada pela Polícia Federal (PF), cumpriu ordens judiciais em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás e Rondônia, mobilizando dezenas de agentes contra 29 alvos suspeitos.
Atuação da família e liderança do esquema
As apurações conduzidas pelas autoridades indicam que o comando da rede criminosa era compartilhado entre membros da família Haidar. Entre os endereços vasculhados pelas equipes policiais durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão está um imóvel situado no bairro Vila Kamal Jumblat, localizado no município de Rondonópolis (MT). Atualmente, Maroan encontra-se recluso no Presídio Federal de Porto Velho (RO), onde cumpre pena definitiva por um assassinato cometido no estado mato-grossense.
O histórico criminal do jovem inclui uma condenação a 21 anos e seis meses de reclusão, em regime fechado, pelo homicídio a tiros do empresário Fábio Batista de Jesus. O crime aconteceu em 2018, após um desentendimento motivado pelo uso de farol alto em um veículo, em um posto de combustíveis de Rondonópolis, sendo integralmente capturado por câmeras de segurança do estabelecimento comercial.
Comando de presídio federal e movimentação financeira
Mesmo após a sua captura e posterior transferência para o sistema penitenciário de segurança máxima, investigações baseadas em conversas de parlatório, apreensão de bilhetes e análise de dados em dispositivos eletrônicos revelaram que Maroan seguia ativo na cúpula da facção. De acordo com os levantamentos da polícia, ele continuava ditando diretrizes sobre o comércio de entorpecentes, a compra de armas de fogo como fuzis e pistolas, cobranças financeiras e o fluxo de caixa para sustentar a estrutura do grupo.
O material reunido pelos investigadores aponta ainda que o detento gerenciava verbas para custear a cadeia logística dos carregamentos de cocaína e skunk, além de articular redes de proteção por meio do pagamento de subornos a agentes de segurança.
Passagem pela Interpol e deboche nas redes sociais
Anos antes de sua prisão definitiva, em 2019, o investigado esteve foragido da Justiça e chegou a figurar na difusão vermelha da lista de procurados da Interpol, tendo o passaporte invalidado na ocasião. Enquanto era caçado pelas autoridades, o suspeito chegou a compartilhar registros em praias e em um restaurante no Nordeste brasileiro através de suas redes sociais.
O Ministério Público Estadual (MPE) formalizou denúncia contra Maroan por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Em trecho de decisão judicial sobre o caso, a Justiça destacou que o réu ‘demonstra menosprezo e deboche das forças policiais e da Justiça, uma vez que publicou em uma de suas redes sociais fotos falsas com o intuito de obstar a sua localização e conseguinte prisão’.








