O falecimento de um adolescente de 13 anos durante um voo que partiu do Espírito Santo com destino a São Paulo gerou revolta e comoção na família, que agora denuncia falhas graves no atendimento de emergência a bordo e em solo.
Memórias e rotina do jovem O empresário Ramon Marchiori descreveu o filho, Diogo Pompermayer Marchiori, como um garoto afetuoso, brincalhão e muito apegado aos familiares. “Era um menino muito agradável. Difícil mesmo era falar um palavrão”, contou o pai sobre o estudante, que adorava jogar com o irmão caçula e era querido na escola.
Paixão pelo futebol e viagem marcante Além da forte ligação familiar, pai e filho compartilhavam o amor pelo Botafogo. Em 2024, os dois realizaram uma longa viagem de ônibus até a Argentina para acompanhar a final da Libertadores, quando o clube carioca conquistou o título continental. “Foram três dias de estrada na ida e outros três na volta. A experiência ficou marcada na minha memória. Foi a maior alegria da minha vida e da dele também”, recordou.
Tratamento cardíaco de longa data O adolescente convivia com um problema no coração desde os primeiros meses de vida, quando precisou ficar internado em uma UTI após contrair uma infecção hospitalar. Apesar do acompanhamento médico constante e do uso de medicamentos, Diogo levava uma rotina ativa, frequentando aulas e realizando viagens nacionais e internacionais. A viagem para solo paulista na última quinta-feira (5) tinha justamente o objetivo de consultar um especialista no Hospital Albert Einstein para reavaliar o tratamento.
Sintomas a bordo e problemas nos equipamentos Segundo o relato do pai, o jovem embarcou sem apresentar qualquer indício de mal-estar. Após comer um lanche e tirar um cochilo durante a rota, o garoto acordou queixando-se de dores intensas no peito antes de perder a consciência. “Depois disso, eu e minha esposa começamos a gritar, pedindo ajuda. As aeromoças nos levaram para os fundos do avião para iniciar os primeiros socorros, junto com outras duas enfermeiras que estavam no voo”, detalhou. O empresário afirmou que os cilindros de oxigênio disponibilizados pela tripulação estavam vazios e que o desfibrilador operava com apenas 4% de carga. “Os tripulantes trouxeram dois cilindros de oxigênio. Os dois não tinham ar, não tinham oxigênio dentro. E o desfibrilador, que estava funcionando, só tinha 4% de bateria”, declarou.
Obstáculos no desembarque e atendimento hospitalar Os problemas continuaram após o pouso em Guarulhos, quando a família enfrentou a ausência imediata de uma ambulância na pista e atrasos na conexão das escadas de desembarque. Diante da situação limite, o pai relatou ter ameaçado saltar da aeronave para forçar a ação da equipe de solo. “Eu comecei a gritar que ia pular da aeronave, e minha esposa falou para que eu pulasse e fosse buscar a escada”, disse. O adolescente foi levado ao hospital, mas o óbito foi constatado na chegada.
Posicionamento das empresas envolvidas Enquanto um passageiro registrou em vídeo a lentidão dos socorristas, a companhia aérea Gol declarou que todos os procedimentos previstos para ocorrências médicas foram cumpridos e que o cliente foi devidamente transferido para o hospital. Por sua vez, a concessionária GRU Airport informou que sua equipe de prontidão agiu conforme os protocolos de segurança para prestar o atendimento inicial e efetuar o encaminhamento médico.








