A Polícia Federal realizou o bloqueio judicial de diversos bens, incluindo veículos, apartamentos, fazendas, animais, obras de arte, relógios, joias e valores em contas bancárias, durante a nova etapa da Operação Arena, que apura crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e delitos contra a ordem tributária e financeira no estado da Paraíba.
Andamento da apuração
Conforme repassado pela corporação, o inventário dos bens ainda está em andamento, impossibilitando a mensuração exata do montante total apreendido no momento.
Em resposta aos questionamentos do g1, a Polícia Federal informou que os valores das apreensões ainda estão sendo contabilizados. “Bens ainda estão sendo avaliados, ou seja, não há como indicar um valor”, informou a corporação.
Soltura de investigado
Durante os desdobramentos judiciais, a Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) concedeu a liberdade a Diomar Tadeu Dantas de Farias, acionista da casa de apostas PixBet, condicionada ao pagamento de fiança. O executivo havia sido detido em meados de setembro na região litorânea de Jacumã.
O mandado de prisão contra ele havia sido expedido para ser cumprido em Campina Grande, mas ele foi encontrado em Jacumã.
Entenda o bloqueio patrimonial
O sequestro de ativos consiste em uma ordem judicial preventiva que proíbe a comercialização, transferência ou ocultação de patrimônio enquanto autoridades verificam a procedência ilícita dos valores.
A medida pode atingir imóveis, veículos, dinheiro e outros bens. O sequestro não significa que os bens foram definitivamente confiscados nem que os investigados foram condenados. A destinação do patrimônio será definida posteriormente pela Justiça, conforme o andamento do processo.
Alvos da segunda fase
A ofensiva policial cumpriu mandados em Campina Grande e João Pessoa, atingindo diretamente figuras ligadas ao setor de apostas, com destaque para a detenção do sócio da empresa investigada.
A Polícia Federal também cumpriu um mandado contra Ernildo Júnior, proprietário da PixBet. Ele já havia sido abordado na primeira fase da Operação Arena, em agosto, quando teve um carro e um celular apreendidos em Campina Grande.
O g1 entrou em contato com a defesa da PixBet e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido retorno.
Contexto da Operação Arena
Deflagrada inicialmente em agosto por uma força-tarefa envolvendo a Polícia Federal, o Ministério Público estadual e a Receita Federal, a investigação principal mapeou um esquema de evasão fiscal atrelado a plataformas de apostas.
Na primeira fase, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão na Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. A Justiça também determinou medidas de quebra de sigilo bancário e telemático e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens.
Segundo a investigação, recursos provenientes das apostas eram enviados para uma empresa de fachada registrada em Curaçao. O dinheiro depois retornava ao Brasil como pagamento por serviços que, segundo a investigação, não haviam sido realizados.
Ainda de acordo com a investigação, a empresa emitia notas fiscais por serviços que não teriam sido realizados. Com isso, o dinheiro retornava ao Brasil como pagamento por supostos serviços contratados no exterior, aparentando ter origem legal.
A primeira fase também teve como alvo o advogado Nelson Wilians, em São Paulo. A defesa dele afirmou que a relação entre o escritório e a Pixbet era estritamente profissional e decorrente da prestação de serviços de advocacia.
A defesa da Pixbet afirmou, na época, que não havia tido acesso à decisão que autorizou a operação e que foi pega de surpresa. A empresa disse que se manifestaria após analisar o documento.








