O Distrito Federal registrou uma expressiva queda na abstenção e nos votos brancos e nulos durante o segundo turno das eleições, após enfrentar um índice recorde de 18,99% de ausências na primeira etapa do pleito. Com 2.253.132 eleitores aptos a votar — o maior patamar da história local —, a etapa decisiva confirmou a vitória de Celina Leão (PP) ao governo do DF para os próximos quatro anos.
Celina Leão e Leandro Grass ampliam votação
Crescimento expressivo nas urnas
Tanto a governadora reeleita Celina Leão quanto o candidato Leandro Grass (PT) registraram alta em seus totais de votos no segundo turno, somando, respectivamente, 161.612 e 169.200 votos a mais em comparação ao primeiro turno.
Para o cientista político Leandro Gabiati, professor do Ibmec Brasília, o engajamento foi impulsionado pelo cenário político.
“A polarização presidencial, combinada com a disputa pelo governo do DF, ampliou o interesse do eleitor e estimulou a atuação das campanhas. Com apenas dois candidatos por cargo, a percepção sobre as consequências do resultado tende a ficar mais clara, incentivando a participação”, explica.
Comportamento regional e disputa presidencial
Votos nulos e presidência
Santa Maria teve os maiores percentuais de votos brancos (4,05%) e nulos (4,37%) para o governo estadual, enquanto Sobradinho registrou a maior abstenção, alcançando 17,16%. Na corrida pela Presidência da República, o cenário foi distinto: os votos nulos subiram de 1,81% para 2,20%, embora a abstenção e os votos em branco tenham recuado, acompanhando a tendência nacional.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou a apuração como o mais votado para presidente no DF, conquistando 54,28% dos válidos frente aos 45,72% de Lula. Ainda assim, Thiago Trindade, vice-diretor do Instituto de Ciências Políticas da UnB, destaca um dado peculiar.
“Curiosamente, onde ele ganhou mais votos foi em Goiás, 9,28 [pontos percentuais]. Em São Paulo, quase 8. E o terceiro foi o DF, com 7,61”, enumera.
Análise do cenário político local
Estratégias de campanha e perfil do eleitor
O avanço de Lula na reta final não se refletiu na votação de Leandro Grass para o Palácio do Buriti. Segundo Thiago Trindade, o papel do petista na disputa já era kalkulado pelas lideranças partidárias.
“O Leandro Grass, para usar um jargão político, é o cara que foi para o sacrifício. Ele sabia que a chance de vitória era muito improvável […] A grande função da candidatura do Leandro Grass era puxar palanque, puxar a voto para a candidatura nacional”, diz.
Para o especialista, o eleitorado brasiliense exibe traços conservadores, mas isso não impede o voto cruzado.
“Na cabeça do eleitorado brasileiro, não há nenhum tipo de problema entre você votar no Lula para presidente e votar no candidato a governador que seja do lado oposto.”
Redução dos protestos eleitorais
O significado dos votos brancos e nulos
Conforme as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas os votos válidos entram no cálculo do resultado oficial, enquanto brancos e nulos são descartados. O voto em branco simboliza a ausência de preferência, e o nulo ocorre quando se digita um código inválido, como “00”.
Para explicar a queda nesses índices e o aumento do comparecimento, Thiago Trindade aponta o impacto do trabalho das candidaturas.
“O voto branco ou nulo, ele tende, ele indica duas coisas. Primeiro, uma posição de indecisão. Segundo, um voto de protesto, ou seja, o voto contra tudo o que está aí”, detalha.
O cientista político conclui que o sucesso na mobilização é determinante.
“Se a campanha eleitoral consegue de fato engajar e mobilizar as pessoas, […] Se a campanha eleitoral consegue ser bem-feita nesse sentido, a tendência é que haja uma redução do voto de protesto, que haja uma redução da abstenção.”








