Parentes e amigos de Hadassa Oliveira Marques, de 23 anos, exigem respostas das autoridades após a jovem ser vítima de uma violência extrema no Parque São Francisco, localizado na capital acreana, no último domingo (25). A gravidade do episódio mobilizou coletivos sociais e gerou forte comoção nas redes sociais.
Internação e atendimento médico
Atualmente, a vítima permanece hospitalizada na clínica cirúrgica do Pronto-Socorro de Rio Branco. O Ministério Público do Acre informou que o Centro de Atendimento à Vítima acompanha de perto a situação e mantém contato direto com o serviço social da unidade de saúde. Conforme a nota oficial, “A jovem permanece internada na clínica cirúrgica e, no momento, não pode receber visitas”.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência localizou Hadassa caída e desacordada, apresentando lesões severas, incluindo fraturas no nariz, na região dos ouvidos e no maxilar. A Polícia Civil ainda não se posicionou sobre o andamento das investigações.
Revolta familiar e contestações
Por meio de uma gravação em vídeo, a irmã da vítima, a técnica de enfermagem Rafaela Oliveira, expressou a angústia vivida pelos parentes e criticou a condução de informações preliminares sobre o crime.
Segundo o relato da familiar, a dor do atentado é intensificada pela condição em que a jovem se encontra. “Está sendo muito difícil para a nossa família e e meus pais verem a filha deles no hospital com o rosto literalmente desfigurado. É uma dor sem tamanho”, declarou.
A cabeleireira Antonella Albuquerque, amiga de Hadassa, reforçou a gravidade do cenário clínico. “Estive agora [terça, 27] tarde visitando ela na Pronto-Socorro de Rio Branco e é muito triste ver minha companheira de luta naquele estado, toda deformada. Já acionamos o Ministério Público”, afirmou.
Rafaela também destacou que nenhuma motivação justifica a brutalidade sofrida pela jovem trans. “Se foi briga, se foi desavença no trabalho ou questão política, nada justifica uma crueldade dessa. Quebraram o maxilar, o nariz, o ouvido dela, literalmente acabaram com a minha irmã. Ninguém tem o direito de machucar e torturar uma pessoa até esse ponto”, pontuou.
Críticas à cobertura midiática e apoio institucional
Além da violência física, os familiares denunciaram falhas no atendimento policial inicial e o desrespeito à identidade de gênero da vítima por parte de portais de notícias locais, que teriam utilizado o nome de batismo e pronomes masculinos. O tratamento foi duramente criticado por perpetuar o apagamento da identidade da jovem.
A Associação das Travestis, Mulheres e Homens Trans do Acre publicou um manifesto repudiando tanto a agressão quanto a postura adotada por veículos de comunicação. Para a entidade, a exposição do nome de registro constitui uma tentativa de anulação identitária. “Isso é inadmissível é transfobia”, destacou um trecho do documento oficial divulgado.








