O Cemitério Campo da Esperança, na capital federal, recebeu milhares de visitantes neste sábado para o tradicional Dia de Finados, data marcada por homenagens, limpeza de túmulos e forte emoção.
Histórias de devoção e saudade
Há mais de três décadas, Gorete Nascimento, de 71 anos, mantém o hábito de madrugar no feriado. Moradora de Cidade Ocidental (GO), município situado a 47 quilômetros de Brasília, ela viaja com frequência para cuidar dos túmulos de seus pais e de três irmãs sepultadas na unidade.
Durante a visita, ela recorda a trajetória dos familiares e demonstra manter um vínculo afetuoso inabalável, mencionando inclusive datas comemorativas futuras com parentes já falecidos devido à dor da perda repentina no início da crise sanitária.
“Venho aqui sempre no dia de finados e também no aniversário de cada um porque sinto muita saudade deles. E para homenagear minha irmã, que também nunca deixava de vir aqui nessa data”, explicou.
Diferentes alas e reflexões
Enquanto setores mais antigos do cemitério abrigam jazigos elevados e diversificados, as áreas mais recentes seguem normas padronizadas que permitem apenas pequenas placas de identificação e suportes para velas.
A aposentada Neusa Maria Nora aproveitou o momento de contemplação na ala nova, onde estão sepultados seus sogros, para refletir sobre a finitude humana e a igualdade perante a morte.
“Eu gosto de vir aqui e me lembrar que rico ou pobre, todos vamos terminar no mesmo lugar. Acho que as pessoas deveriam vir mais ao cemitério”, disse.
Já Marcelo Oliveira compareceu ao local acompanhado da mãe e da irmã para prestar homenagens ao pai falecido, destacando que as visitas frequentes funcionam como um momento de pausa para reviver memórias. Segundo ele, nem todos os familiares conseguem lidar com a perda da mesma forma.
“Ele nunca vem, diz que não consegue, fica muito emocionado”, explicou.
Origem e oficialização do feriado
Importada pelos colonizadores portugueses de fé católica, a tradição de Finados tem raízes atribuídas ao monge beneditino Odilo de Cluny, na França, que no ano 998 estabeleceu orações pelas almas em 2 de novembro.
Embora tenha forte apelo católico, a ocasião também é observada por fiéis protestantes e por religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, que prestam culto aos ancestrais no início de novembro.
No Brasil, o feriado nacional foi instituído legalmente apenas em dezembro de 2002, por meio da Lei 10.607/2002, sancionada a partir de projeto da então deputada federal Vanessa Grazziotin.








