As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), vão muito além da disputa por cadeiras no Congresso. Embora o presidente Donald Trump não esteja nas urnas, o resultado pode redefinir o equilíbrio de forças em Washington e afetar diretamente os negócios de algumas das maiores empresas do mundo, especialmente as gigantes de tecnologia.
O que são as midterms e a estrutura do Congresso
Conhecidas como midterms, as eleições renovam toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. A disputa também envolve governos estaduais e pode determinar o espaço que a oposição terá para fiscalizar o governo, questionar contratos e pressionar empresas que dependem de decisões políticas e recursos federais.
As midterms são realizadas na metade do mandato presidencial nos Estados Unidos. Como deputados têm mandatos de dois anos e senadores permanecem seis anos no cargo, o Congresso passa por uma renovação parcial a cada eleição desse tipo.
Neste ano, os eleitores vão escolher 435 deputados, 35 senadores e governadores em 36 estados. Nas eleições de 2024, o Partido Republicano, de Trump, conquistou a maioria nas duas Casas, dando ao presidente maior facilidade para avançar com suas propostas. Agora, os democratas tentam assumir o controle da Câmara e disputam a maioria no Senado.
Como funciona a apuração e o papel da imprensa
Diferentemente do Brasil, os Estados Unidos não têm um órgão nacional equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por coordenar as eleições e centralizar a totalização dos votos. Cada estado estabelece suas próprias regras para a votação e a apuração.
Em boa parte do país, os eleitores votam em cédulas de papel. Os primeiros resultados devem aparecer ainda na noite de terça-feira, mas a definição de quem controlará a Câmara e o Senado pode levar dias. Como não existe uma autoridade nacional que reúna os resultados, a imprensa tem papel importante na divulgação das projeções por meio de dados oficiais e análises estatísticas.
Impactos para as big techs e setores estratégicos
Para as big techs, o resultado importa porque Washington faz parte de seus modelos de negócio. Investimentos em inteligência artificial (IA), contratos militares, regulamentações para criptomoedas e projetos de infraestrutura podem ser afetados pela composição do Congresso.
Uma vitória democrata daria à oposição novos instrumentos para pressionar empresas e questionar decisões do governo. Apple, Nvidia, Cisco e Salesforce, por exemplo, já receberam pedidos de explicação de parlamentares sobre iniciativas relacionadas ao governo ou a isenções de impostos de importação.
Investimentos em inteligência artificial e defesa
Um dos setores mais sensíveis às mudanças políticas é o de IA. Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta planejam investir mais de US$ 1 trilhão em infraestrutura de grandes data centers, mas a expansão enfrenta resistência pelo consumo de energia.
As decisões do Congresso sobre o orçamento federal também afetam companhias de tecnologia militar e prestadoras de serviços de saúde. Acordos bilionários e projetos de defesa dependem diretamente da aprovação de recursos parlamentares.
Criptomoedas e bancos sob o olhar de Washington
O resultado das eleições pode influenciar ainda a regulamentação de criptomoedas e do setor bancário. Empresas como a Coinbase defendem regras mais claras, enquanto o setor bancário busca estabilidade nas regras de capital definidas pelo Federal Reserve (FED).
A definição de quem controlará o Congresso será decisiva para os próximos dois anos do governo Trump e para o ambiente regulatório das principais companhias globais.








