Um supervisor de engenharia de 51 anos surpreendeu a equipe médica ao tocar violão e cantar o clássico “Tempo Perdido”, da banda Legião Urbana, durante uma cirurgia no cérebro realizada na Santa Casa de Marília, no interior paulista.
Como funciona a cirurgia de cérebro com paciente acordado
O procedimento de craniotomia com o paciente desperto é adotado há mais de duas décadas pelo hospital para casos específicos. No caso de Fábio Aparecido Pereira dos Reis, morador de Pompeia (SP), a estratégia garantiu o monitoramento em tempo real de habilidades como fala, raciocínio e coordenação motora enquanto os médicos retiravam um tumor cerebral.
O neurocirurgião Ruy Okaji explicou que o paciente recebeu anestesia apenas na etapa inicial para a abertura do crânio. Depois, foi acordado para responder a testes de linguagem, cálculos, memória e canto.
“Enquanto a linguagem era testada, o cérebro foi todo mapeado, sendo possível identificar o tumor e as áreas sadias, além de planejar o procedimento de ressecção. A importância do paciente estar acordado em algumas cirurgias neurológicas é a possibilidade de mapear as áreas eloquentes do cérebro. Assim, é possível retirar a maior quantidade possível do tumor com o menor risco de sequelas”, destacou Okaji.
Diagnóstico e o poder da música no pós-operatório
O hobby musical do paciente acabou se tornando uma ferramenta clínica fundamental durante a operação, que emocionou anestesistas, neurofisiologistas, fonoaudiólogas, instrumentadores e enfermeiras presentes na sala.
A esposa, Edineuza Reis, de 55 anos, acompanhou a angústia das cerca de 12 horas de intervenção cirúrgica e comemorou o desfecho positivo.
“Para nós, a cirurgia durou uma eternidade, mas, graças a Deus, foi um sucesso. Ele saiu acordado e conversando, surpreendendo a todos”, declarou.
Os primeiros sinais de alerta da doença foram dores de cabeça persistentes, lapsos de memória, confusão mental e alterações na fala. Após passar por diferentes especialistas e ser internado na UTI para desinchar o cérebro, Fábio recebeu o diagnóstico de glioma, um tipo agressivo de tumor cerebral, confirmado em 2 de setembro, com a operação realizada seis dias depois.
“Ele sempre gostou muito de tocar violão, guitarra e cantar. Já fez shows em barzinhos, festas de aniversário e churrascos de família e amigos”, completou a esposa sobre a paixão musical do marido.
Após o sucesso do procedimento neurocirúrgico, o paciente já realizou cinco sessões de quimioterapia e agora se prepara para iniciar a etapa de radioterapia.








