O Rio Poty Hotel, localizado no bairro Ponta d’Areia, em São Luís, foi autuado e multado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão após uma vistoria realizada a pedido do Ministério Público. A fiscalização ocorreu na sequência da morte de Renata Rebeca Negrão Saldanha dos Santos, de 26 anos, que despencou do sétimo andar do edifício após uma estrutura de alumínio se desprender.
Irregularidades encontradas
Durante a inspeção, os agentes identificaram diversas falhas nas medidas de proteção contra pânico e incêndio, incluindo a ausência do Certificado de Aprovação atualizado. Além da multa pecuniária, a corporação exigiu a instalação imediata de barreiras físicas em pontos considerados vulneráveis do prédio. O diretor de Atividades Técnicas do órgão pontuou:
“Fizemos a vistoria em loco, os relatórios estão sendo finalizados e serão encaminhados posteriormente ao Ministério Público para as devidas providências. No que diz respeito à nossa competência, que é de fiscalizar as medidas de segurança contra incêndio pânico, esse trabalho está sendo feito”
Por sua vez, a administração do hotel divulgou uma nota prestando solidariedade aos entes queridos da vítima e esclareceu que a documentação para a renovação da certificação já havia sido protocolada antes da tragédia. O estabelecimento ressaltou que o processo dependia de análises burocráticas e reforçou que a vistoria de incêndio não engloba a avaliação técnica das esquadrias.
Debate sobre normas de engenharia e arquitetura
O episódio gerou discussões profundas sobre os parâmetros construtivos previstos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, como a NBR 14718 para guarda-corpos e a NBR 10821 para esquadrias. O arquiteto Rafael Campos analisou os projetos voltados para arranha-céus e hoteleira:
“A questão da segurança das janelas em edifícios altos envolve muito mais do que simplesmente estabelecer uma altura mínima para o peitoril. Existem normas técnicas que precisam ser observadas, como a NBR 14718, que trata dos guarda-corpos e dos requisitos de proteção. O parâmetro de 90 centímetros, por exemplo, aparece em situações específicas da norma, mas não deve ser interpretado como uma regra universal para todos os tipos de janelas”
O profissional também enfatizou a importância de projetar pensando em hóspedes que desconhecem os riscos do local. Na mesma linha, o professor e engenheiro civil Mikhail Lucynski avaliou que a ausência de conservação na estrutura metálica agravou o cenário:
“O problema todo que aconteceu é porque a estrutura de alumínio não foi feita uma manutenção em que ela tivesse a devida resistência quando alguém fosse, de repente, encostar na peça. A esquadrilha não tem função estrutural, mas era para ela resistir um esforço mínimo, até mesmo quando a gente faz a fixação dos elementos de vedação, no caso, o vidro”
O especialista acrescentou:
“E, do jeito que estava ali, o que aconteceu? A tragédia ocorreu porque ela encostou e o vidro e a estrutura, a esquadrilha, ela estava solta, ela estava fechada de tal forma que veio abaixo onde ela estava, a folha da parte da esquadrilha”
Investigação policial e contexto
Natural de Ananindeua, no Pará, Renata estava na capital maranhense acompanhada do companheiro para disputar um torneio de pôquer. A Polícia Civil trata o caso como acidente e descartou indícios de crime após analisar registros de câmeras de segurança. O delegado George Marques declarou:
“A gente vê claramente que não houve qualquer tipo de agressão, não houve empurrão, ele não estava nem próximo dela”
A Secretaria de Estado da Segurança Pública destacou que a Perícia Oficial realizou exames minuciosos na estrutura da janela para apontar os fatores exatos que causaram o rompimento da peça, cujos laudos seguem em elaboração.








