O estado do Acre registrou a primeira ocorrência de cancro cítrico em lavouras do Alto Acre, atingindo os municípios de Brasiléia e Epitaciolândia. A enfermidade bacteriana ataca pomares de laranja e limão, provocando o surgimento de feridas ásperas e elevadas tanto na folhagem quanto nos galhos e, de maneira expressiva, nos citrus colhidos.
Investigação sobre a origem da bactéria
O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) aponta a suspeita de que a praga tenha ingressado na região por meio de mudas irregulares originadas em São Paulo. No momento, o órgão conduz uma apuração epidemiológica para mapear as rotas de entrada e propagação do problema fitossanitário nas localidades atingidas.
“Esses produtores relatáram que adquirem mudas de outros estados e essa doença já está bem disseminada em outros estados do país. Então, ela vem a longas distâncias, principalmente por material contaminado, que seria um maquinário e, à curta distância, tem uma disseminação pela água, pelo vento”, explicou.
Impactos na comercialização agrícola
Conforme a coordenadora do Programa Estadual de Sanidade Citrícola do Idaf, Ana Cláudia Alves D’Abadia, a presença da praga compromete o valor mercadológico da colheita devido ao aspecto visual comprometido.
“Quem vai comercializar, por mais que não cause doença nos seres humanos, o fruto não fica com um aspecto visual agradável. Então, diminui a comercialização, porque o consumidor sempre vai preferir um fruto mais bonito, sem lesões. O produtor, principalmente comercial, tem bastante prejuízo com essa doença, se ela chegar aos pomares comerciais”, afirmou.
Fatores climáticos e contágio
A especialista destaca que o clima local, marcado por elevado índice de umidade e calor intenso, estimula a proliferação e a expansão da bactéria no território onde foi detectada.
“Essa bactéria, ela especificamente sobrevive somente em plantas cítricas. Então, se você tens plantas cítricas próximas, existe o risco de alguma ser contaminada e o foco se desenvolver ali e aumentar”, alertou.
Medidas de controle e erradicação
Diante da confirmação laboratorial, a recomendação técnica consiste na erradicação dos espécimes atingidos, seja de todo o cultivo ou especificamente do vegetal infectado, seguida de vigilância constante para travar novos contágios.
“Quando você retira todas as plantas, diminui a probabilidade desse foco aumentar. O produtor pode também eliminar a planta doente e passar a fazer um controle fitossanitário, principalmente com produtos à base de cobre, recomendado por um engenheiro agrônomo, as doses corretas, para fazer o controle dessa doença”, detalhou.








