Uma mulher de 26 anos viveu momentos de terror em São Miguel, no Alto Oeste potiguar, ao ser mantida em cárcere privado e violentamente agredida pelo namorado, de 33 anos. O martírio da vítima durou cerca de três dias, entre o último sábado (31) e a terça-feira (3), quando ela finalmente logrou êxito em sua fuga para pedir socorro.
Investigação policial e medidas de proteção
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as denúncias de tortura, ameaça e lesão corporal. Embora o suspeito tenha sido detido no dia da fuga, a prisão em flagrante ocorreu exclusivamente por porte ilegal de arma de fogo, encontrada pelas autoridades durante as diligências. Segundo o delegado Jonaildo Cândido, a ausência de flagrante pelas agressões ocorreu porque o lapso temporal entre os fatos e a denúncia impediu a medida imediata.
Sobre a dinâmica da investigação, o delegado Jonaildo Cândido declarou: “Ele tem um apartamento na cidade e frequentava a casa da vítima no sítio. Essas lesões começaram no sítio, depois se estenderam para a cidade. Mas, quando procuraram a delegacia, no caso, a mãe, ela já estava na casa da mãe dela”.
Quanto à apreensão da arma, o delegado Jonaildo Cândido afirmou: “A vítima informou para a gente que a arma estava lá. A gente foi até o local para pegar a arma, porque a vítima disse que ele tinha voltado para essa casa para poder pegar essa arma. A gente encontrou ele no caminho, abordamos ele e fomos na casa e encontramos essa arma. Ele foi preso em flagrante por causa da arma”.
Atualmente, o agressor responde ao processo sob medidas protetivas, que incluem o distanciamento da vítima e o monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Relato de tortura e fuga
O padrasto da vítima detalhou a crueldade do suspeito, que teria utilizado fios elétricos, cabos de vassoura e outros instrumentos para espancar a jovem, resultando em uma fratura no maxilar. Além das agressões físicas, o homem teria jogado álcool sobre a mulher.
Sobre o nível de violência, o padrasto relatou: “Ele bateu nela com fios de força, cabo de vassoura e outros objetos. Depois das agressões, ele ainda jogou álcool sobre ela. Aí ela desmaiou. Talvez foi a hora que ele achou que ela tinha morrido. Depois ela tornou”.
Para abafar os gritos de socorro, o namorado mantinha o som do apartamento em volume elevado. A oportunidade de fuga surgiu quando o agressor se dirigiu ao banheiro, permitindo que a jovem escapasse e fosse resgatada por um mototaxista. Mesmo após o resgate, a família relata que o homem tentou localizar a vítima, forçando a intervenção imediata das autoridades policiais.








