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Óculos para galinhas: conheça o acessório inusitado

Equipamento restringe a visão frontal das aves para combater episódios de agressividade e canibalismo em plantéis.

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Galinhas usando óculos? Acessório previne canibalismo e brigas em galinheiros

Embora pareça uma brincadeira ou uma criação de inteligência artificial à primeira vista, a utilização de óculos para galinhas é uma realidade em alguns criatórios de aves pelo país, servindo como um protetor anti-bicada em situações específicas.

Como funciona o acessório visual das aves

Diferente do que o nome sugere, o equipamento não tem a função de corrigir problemas de visão. O objetivo real é limitar o campo de visão frontal dos bichos, funcionando como uma barreira física contra comportamentos agressivos como bicadas, disputas violentas, quebra de ovos e episódios de canibalismo no galinheiro.

O canibalismo avícola acontece quando uma ave ataca e fere outra, gerando lesões que podem culminar na morte do animal. Conforme explica o zootecnista Aécio Prado, da Emater-DF, o design do artefato dificulta que a galinha enxergue o alvo com precisão, enquanto a coloração vermelha ajuda a amenizar a reação dos animais ao entrarem em contato com sangue.

Desafios operacionais e bem-estar animal

Apesar de existir no mercado, a adoção do item exige um trabalho braçal intenso, já que cada ave precisa ser capturada e manejada de forma individual. Como o bico das galinhas é forte e se movimenta o tempo todo, elas podem conseguir se adaptar ao equipamento ou até mesmo arrancá-lo.

O especialista aponta que o método não é visto como ideal sob a ótica do bem-estar animal, pois gera desconforto. Por essa razão, os óculos são restritos a ocasiões pontuais, a exemplo da inserção de um novo reprodutor em lotes de maior valor financeiro, visando amenizar o estresse na fase de adaptação.

Viabilidade financeira em grandes granjas

Com um custo médio de R$ 2 por unidade, o preço pode parecer acessível, mas a estratégia se torna impraticável em grandes produções comerciais, que abrigam milhares de aves simultaneamente. Além do fator financeiro, a barreira logística de manuseio individual impede o uso em larga escala.

“Em plantéis grandes, o manejo fica muito difícil, porque é preciso pegar uma ave por vez e colocar o equipamento. Além disso, ele pode se soltar”, afirma o zootecnista.

Alternativas e a prática da debicagem

Nas criações de grande porte, o método mais tradicional para conter ferimentos por bicadas é a debicagem, técnica que remove parte do bico ainda nas semanas iniciais de vida. Contudo, o procedimento exige profissionais especializados e gera debates sobre o sofrimento imposto aos animais.

Devido a essas contestações, muitos produtores têm abandonado a técnica e investido em ajustes no ambiente, na dieta e no manejo geral. Dessa forma, os óculos seguem como uma solução secundária e restrita, cuja aplicação depende do perfil do criatório e do cuidado com o bem-estar do plantel.

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