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Governo cria força-tarefa contra assédio pós-eleições

Executivo mobiliza órgãos federais para investigar ameaças de demissão e conter uma onda de violência política no país.

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Governo age para conter casos de assédio e violência após Eleições 2026

Diante da escalada de ameaças, intimidações e pressões contra trabalhadores após o segundo turno, o governo federal implementou uma força-tarefa interministerial para coibir o assédio eleitoral no ambiente profissional. A iniciativa surge após a proliferação, em redes sociais, de conteúdos publicados por empregadores que ameaçavam dispensar colaboradores por causa de suas escolhas nas urnas.

Ações conjuntas e canal de denúncias

Para enfrentar o problema, a coalizão governamental reúne o Ministério do Trabalho e Emprego, o Ministério Público do Trabalho, a Advocacia-Geral da União, o Tribunal Superior do Trabalho, o Ministério Público Eleitoral e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. As autoridades também monitoram campanhas virtuais que promovem o boicote a comércios cujos donos manifestaram preferência política.

Como resposta, o Ministério do Trabalho lançou uma ferramenta exclusiva para receber queixas de discriminação partidária e iniciou uma campanha de conscientização com alertas na Carteira de Trabalho Digital. Paralelamente, o governo estuda instituir uma espécie de cadastro restrito para punir empresários flagrados em irregularidades trabalhistas dessa natureza.

Balanço das denúncias e decisão judicial

Somente no mês de outubro, o Ministério Público do Trabalho contabilizou cerca de 2,3 mil notificações referentes a coações no trabalho. O órgão solicitou à Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, a remoção de postagens que encorajavam a demissão de empregados. A Justiça do Trabalho determinou que a empresa derrube publicações com esse teor no prazo de até um dia.

Combate à violência e proteção a minorias

Além do ambiente corporativo, as autoridades registraram 45 crimes com motivação política entre os dias 24 e 28 de outubro, resultando em 47 vítimas, sendo dez óbitos confirmados em decorrência de agressões e intimidações. O Ministério da Justiça mobilizou as corregedorias das polícias estaduais e do Distrito Federal para investigar a conduta de agentes de segurança pública envolvidos em ocorrências.

Povos originários também figuram entre os alvos de hostilidades pós-eleitorais. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil mapeou mais de 30 episódios de violência em 2026.

“Em Mato Grosso do Sul, comunidades Guarani Kaiowá denunciam o agravamento da violência após o segundo turno das eleições, com relatos de assassinatos, atropelamentos, ataques e ameaças de envenenamento das fontes de água utilizadas pelas famílias indígenas”, denuncia a entidade.

Em resposta, o Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal, enquanto as Pastas dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial uniram-se em força-tarefa para exigir rigor nas investigações de crimes contra indígenas, quilombolas e demais minorias.

“Os relatos são extremamente preocupantes, uma vez que apontam para possíveis ameaças à vida, à segurança e à integridade física dos indígenas, além de possíveis manifestações de discriminação e incitação ao ódio contra os povos indígenas”, diz o MPI, em nota.

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