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Incêndio em Alter do Chão é contido após queimar 60 hectares

Brigadistas seguem em operação de rescaldo para evitar que focos subterrâneos reativem as chamas na região de Santarém.

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Incêndio em Alter do Chão é controlado, mas equipes fazem 'varredura' para extinguir focos

Operação de rescaldo na APA de Alter do Chão

As chamas que percorreram cerca de 2,5 quilômetros na Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, foram contidas pelas equipes de combate. Mesmo com o incêndio sob controle neste domingo (1º), a força-tarefa permanece em campo realizando uma varredura minuciosa para eliminar focos remanescentes em raízes e troncos. O objetivo principal é impedir que o calor e os ventos fortes provoquem a reignição do fogo na vegetação.

A diferença técnica entre controle e extinção

A necessidade de manter as equipes no local mesmo após o avanço do fogo ter sido interrompido na última sexta-feira (30) foi detalhada por Daniel Gutierrez Govino, integrante da Brigada de Alter do Chão. O especialista pontuou que a visibilidade de fumaça na área não indica, necessariamente, que o incêndio continua se expandindo, mas sim que o material orgânico segue em combustão lenta.

“Incêndio controlado é uma coisa, incêndio extinto é outra. A fumaça que as pessoas veem agora não significa que o fogo está avançando, mas sim que há material vegetal, como troncos e palhas, queimando lentamente”, explicou Daniel.

Esforço conjunto e suspeitas da comunidade

O trabalho de rescaldo conta com a atuação integrada de brigadistas do Prevfogo, além das brigadas de Alter do Chão e do Marauara. Embora o cenário esteja mais estável, pequenos focos surgiram durante a manhã, sendo prontamente combatidos. Diante da reincidência de pontos de calor próximos a áreas já protegidas, a população local manifestou desconfiança sobre a origem do desastre e exige que as autoridades policiais investiguem a possibilidade de ação criminosa.

Logística e impacto ambiental

Com a situação estabilizada, a Brigada de Alter do Chão anunciou a suspensão da campanha de arrecadação de donativos. A solidariedade dos moradores foi fundamental para garantir suprimentos, como água e alimentos, para os profissionais na linha de frente. Uma base de apoio operacional foi montada nas proximidades do foco principal para otimizar a logística.

Comparativo com crises anteriores

Apesar da preocupação gerada, o impacto ambiental deste evento é consideravelmente inferior ao registrado em anos anteriores. Segundo o brigadista João Romano, o sucesso na contenção das chamas deve-se ao manejo integrado do fogo e ao fortalecimento das brigadas comunitárias. Enquanto a crise de 2019 devastou 1,6 mil hectares na região, a estimativa atual aponta que cerca de 60 hectares foram afetados.

O episódio ocorre em um momento crítico para o estado do Pará, que enfrenta um dos períodos mais severos de queimadas das últimas décadas. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que outubro fechou com mais de 12 mil focos de calor, configurando o pior registro para o mês nos últimos 29 anos.

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