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Mel de abelhas sem ferrão chega a R$ 400 o litro em Rondônia

A meliponicultura ganha força em Porto Velho aliando preservação ambiental e alta valorização comercial do produto regional.

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Mel com 'sabor amazônico' produzido por abelhas sem ferrão custa até R$ 400 o litro em Porto Velho

A meliponicultura, prática de criação de abelhas nativas que não possuem ferrão, tornou-se uma atividade lucrativa e sustentável em Porto Velho. O mel produzido por essas espécies é altamente valorizado no mercado, podendo atingir preços entre R$ 350 e R$ 400 por litro, transformando quintais urbanos em centros de conservação da biodiversidade amazônica.

O papel da meliponicultura na conservação

Diferente das abelhas comuns, as nativas são frequentemente mantidas em ambientes domésticos por entusiastas que buscam proteger as espécies de ameaças como o desmatamento e as queimadas. Regina Ferreira Mariz, meliponicultora na Zona Norte da capital, dedica-se há seis anos ao resgate e manejo de colônias em risco. Entre as espécies cuidadas por ela estão a Jataí-amarela, Mandaguari-preta, Marmelada-amarela, Boca-de-renda e Jataí-negra.

Sobre o resgate de colônias, a criadora esclarece que o procedimento deve seguir normas específicas: “Por exemplo, se há risco para as abelhas, se é uma área de derrubada, se derrubaram uma árvore e as abelhas estão ali correndo o risco, pode resgatar”, disse Regina. O setor ganhou um novo marco legal em junho de 2024, com a Lei Complementar nº 990/2024, que regulamenta o manejo para fins educacionais, científicos e econômicos no município.

Valorização de mercado e o sabor amazônico

O valor elevado do produto justifica-se pela exclusividade e pelas propriedades sensoriais únicas que o mel das abelhas sem ferrão oferece. Roseval Guzzo, gerente de Assistência Técnica da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), aponta que, embora o volume de produção seja inferior ao das abelhas convencionais, a qualidade superior é um diferencial competitivo. “Ele é mais saboroso, tem um sabor mais amazônico e também é mais valorizado”, destacou Guzzo.

Consciência ambiental acima do lucro

Apesar do atrativo financeiro, especialistas alertam que a atividade não deve ser puramente comercial. O foco principal permanece na polinização, processo vital para a manutenção dos ecossistemas e da produção de alimentos. Regina reforça a necessidade de um equilíbrio consciente: “Não podemos permitir que essa atividade seja vista apenas como uma oportunidade de ganho material ou comercial”, disse Regina.

Para a meliponicultora, o sucesso da prática está atrelado à ética e ao futuro do meio ambiente. “Meliponicultura é preservar, educar, produzir com consciência e respeitar a vida. É entender que somos responsáveis não apenas pelas abelhas que criamos, mas também pelo legado ambiental que deixaremos para as próximas gerações”, finalizou.

A importância biológica desses insetos é reforçada por Guzzo, que alerta para as consequências globais do desaparecimento das polinizadoras. “Sem elas a humanidade viveria mais ou menos uns quatro anos sobre um caos, não teria manga, não teria laranja, uva, praticamente nada”, disse.

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