As apresentações da Esquadrilha da Fumaça impressionam o público com acrobacias de alta precisão, como voar de ponta-cabeça por até um minuto, cruzar aeronaves a distâncias inferiores a dois metros e executar manobras que deixam os aviões temporariamente sem controle.
Dinâmica das apresentações aéreas O capitão e piloto André Nery Lima Bezerra explicou que o espetáculo começa com sete aeronaves agrupadas. Após a sequência inicial, os pilotos realizam a manobra de dispersão.
“É aquela manobra em que os aviões apontando para o público se espalham frontalmente, vai cada um para um canto e daí em diante as manobras são feitas em grupos”, complementou.
Em seguida, o público acompanha formações com quatro aviões, duplas e passagens solo, totalizando cerca de 50 manobras em um intervalo de 35 a 40 minutos.
“São em torno de 50 manobras realizadas nesses 35 a 40 minutos de demonstração. E como são vários grupos, o público nunca deixa de ver uma manobra sendo executada porque quando tem um avião ou mais executando uma sequência, os outros grupos estão fora da arena se preparando, se posicionando e ganhando os parâmetros necessários para fazer a entrada e realizar a sua sequência de manobras”, explicou.
O capitão também comparou a dinâmica a uma encenação teatral contínua.
“É como se fosse, digamos assim, uma peça de teatro muito bem concatenada, muito bem ensaiada, de forma que as cortinas nunca se fecham, né? Quando uma cena termina e um grupo sai, a próxima cena já se inicia com o próximo grupo.”
Acrobacias históricas e o retorno do Lancevak Algumas formações foram criadas pelos próprios integrantes na década de 1980, período do T-27 Tucano. A Chumboide, por exemplo, recebeu esse nome em homenagem a um ex-membro apelidado de Chumbo. Contudo, devido ao desgaste estrutural nos motores e componentes, algumas acrobacias acabaram suspensas.
Com a chegada do A-29 Super Tucano, aeronave mais resistente, clássicos como a Chumboide e o Lancevak retornaram ao repertório. O Lancevak consiste em um capotamento nos três eixos executado exclusivamente pelo piloto número 7.
“Não é que parece que o avião está sem controle. O avião, de fato, naquele momento, ele está reagindo a um comando que foi dado pelo piloto, mas a reação aerodinâmica do avião é de que literalmente capota no ar nos seus três eixos”, explicou o capitão.
Bezerra pontuou que o movimento exige técnica exata para a retomada da trajetória.
“Onde que está a grande questão? O piloto sabe exatamente o que fazer para retomar o controle do avião no momento exato e sair perfeitamente alinhado com o eixo da próxima manobra.”
Voos em espelho e cruzamentos extremos Outro destaque são os voos em formação espelhada. No Espelhinho, os pilotos 5 e 6 voam em posições opostas, com um deles invertido. Já o Espelhão envolve três aeronaves na parte inferior e outras três em voo invertido logo acima.
“Esta manobra é muito interessante porque eu acho que ela reflete muito bem o trabalho em equipe da Esquadrilha da Fumaça”, declarou.
“Cada um voa muito preciso, muito cravado em relação ao seu respectivo líder e quanto todo mundo faz a sua parte o resultado é um espelho perfeitamente simétrico perfeitamente montado com três aeronaves embaixo e três em cima”, acrescentou.
O rastro de fumaça também auxilia na leitura visual do público, como na tradicional figura do coração, formada por duas curvas opostas realizadas por trios de aeronaves. Contudo, a realização depende estritamente de condições meteorológicas favoráveis de vento e visibilidade.
Além disso, os cruzamentos impressionam pela proximidade real entre os jatos.
“As aeronaves realmente, no momento dos cruzamentos, elas passam muito perto umas das outras. Alguns cruzamentos dão menos de dois metros de uma aeronave para outra, considerando que cada uma está voando com mais de 400 km por hora, às vezes quase 500 km”, afirmou.
O piloto destacou que a velocidade combinada eleva o dinamismo das passagens.
“A velocidade relativa entre os aviões, no momento do cruzamento, às vezes é algo muito próximo de mil quilômetros por hora de razão de aproximação”, complementou.
Nível de dificuldade e percepção do público Apesar de manobras como o wingover com troca de liderança e a tonneau com alas invertidas exigirem extremo rigor técnico e treinamento prolongado, o público nem sempre dimensiona o risco envolvido sem a devida narração.
Por outro lado, surpresas encenadas geram grande impacto, como as passagens rápidas em baixa altitude por trás da plateia ou a manobra em que o piloto da posição 7 reduz a velocidade e aponta o bico para o solo antes de retomar o trajeto.
“A gente gosta de gerar essa sensação de que realmente o motor apagou e voltou a funcionar, gera essa curiosidade, essa aflição.”








